25.1.10

um presente de quem voa


Serena Cris


“Eu não sei como ela pode terminar se nem mesmo começa.”

In.: Alice. Aquela das maravilhas.



Sobre a mesa da sala, tinha um resto de jantar para dois. Eles não comeram e nem beberam nada. E fiquei pensando se ela gostava mesmo dele. Um dia, alguém me disse que se você começa a pensar se gosta mesmo de alguém, é porque já deixou de gostar faz tempo. Falei. Ela não disse a ele o queria. E lá bem no fundo, ela sabe disso. Mas que coração mais gótico meu Deus, cheio de labirintos que se escondem atrás de muralhas. Como uma criança que brinca de soldadinho. Ela ataca e recua. Só que dessa vez a acertaram com uma bala de metralhadora. E o tiro salpicou a parede da igreja. Mas a bala era de festim. O coração dela só estava tremendo. Só não sei se era de medo ou de frio. Ainda não decidi.

Pipa. Toma esse calmante aí.

Um beijo.
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2 comentários:

Pipa. A que sonha. disse...

Ela é a criança mais ensolarada que já conheci.


Amo-te.

Um beijo

ErikaH Azzevedo disse...

Cris...

Senti uma imensa vontade de te deixar excerto do Caio Fernando Abreu...
São estes:

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.

- Caio F. Abreu

(...)

“De repente - ou não de repente, mas tão aos pouquinhos, e tão igual todo dia que era como se fosse assim, num piscar de olhos, num virar de página - passou-se muito tempo.”
- Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.


sabe, qdo é dor em mim eu sempre consigo diminuir um pouco esse estar de dor qdo leio algo que fale de mim, como se escritor estivesse a me aconselhar...como se ele estivesse a me ler, a me interpretar, a me sentir...será que me entendes? Q eu possa te ajudar de alguma forma com esses excerto, q vc possa se sentir e ganhar força através das palavras deixadas aqui, pode ser pretenção , mas não é , foi apenas meu coração que me pediu e estou eu a seguir.

Bjinhos

te cuida menina!

Erikah