4.3.10

do que a gente sentiu



'Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido, descartado.
Quem diz que me entende, nunca quis saber."

-Renato Russo-



Não sei do que vocês estão rindo. Isso não tem graça nenhuma. Enquanto eu tentava me aquecer na lareira, acordei com os gritos de quem um dia me motivou a fazer festa com as palavras nos ares. Quando abri a porta: Sangue. Todapartesangue. Era a Serena esperando conseguir uma moradia adequada. Seu vestido de arlequim estava todo manchado. Violentaram-na emocionalmente e a jogaram em minha porta, como quem joga uma lata vazia no chão. Senti seus passos trêmulos até de mim. E pela primeira vez, eu não soube o que fazer com ela. É que a Pipa está muito doente. Há algum tempo atrás construímos um castelo de sonhos. Duas meninas pálidas e frágeis apostavam corridas nas nuvens para saber quem chegava primeiro. E ela sempre ganhava. Deve de ser por causa daquelas pernas compridas. Contemplávamos os céus enfeitiçadas de amor. Um dia começou a chover. E não parou mais. E as tempestades tombavam dos céus umas atrás das outras. Com tanta força, que derrubaram os nossos castelos. E nos perdemos nos ares como almas em fuga. Quase ninguém sabe disso. Hoje os dias de sol se soltam das nossas roupas, como fumaça no vento. Eles são tóxicos e pesados. Estou com mil kg nas costas. Minhas esperanças tem emagrecido a cada dia que passa. E isso me impede de olhar para cima. Em suas palavras nasci, e nelas morro agora. Tenho aprendido, a duras penas, que o mal tem força 10 vezes maior que o bem. Inimigos por todos os lados tentam me derrotar com sorrisos falsos, mentiras e promessas que não se cumprem. Tomo remédio da razão (aquele, do N.) e durmo cedo para esquecer a dor de dentro. Mas quando acordo, me assalta uma sensação de ter passado a vida inteira em branco. De não ter feito nada que preste. De não ter cultivado amor. De não ter ganhado nada. Nem coração alado, ganhei. É uma sensação de que nada vale nada. Uma sensação igualzinha àquela que Brás Cubas revela no fim do livro. Eu perdi, Serena Cris. Eu perdi a guerra que, de santa não tinha nada. E agora me esfarelo em poeira dourada, igualzinha a essa que você tem nas mãos. Me junte num saco e me jogue no mar. Não há nada que se possa fazer. Nem rezar. Eu perdi meu amor para as forças do mal. A outra, a que tem ódio no olhar, sempre ganha. E eu sou tão criança agora, que sumo. Desfaleço então. E me afundo num mar que, podia ser do esquecimento, mas não é.

P.S.: (Isso aqui também ficou heavy metal demais Serena. E a música está tão alta, que não consigo ouvir mais nada.

Adeus Serena.

A gente se vê na outra vida.

Para sempre

Pipa - Cris.

4 comentários:

Me disse...

Olha Serena-Cris (será uma ou serão duas?) acabei de chegar...rsss
Gostei tanto daqui, mas muito muito mesmo! e veja só que só li este post!
O que dizer de uma história (ou será estória?)tão linda, delicada e triste...torço pelo amor sempre!!!
A frase do Renato é demais!
bjos, ótimo fim de semana!

Pipa. A que sonha. disse...

Eu daria qualquer coisa, para que não fóssemos as personagens principais dessa hístória.


Te seguro. Me seguras.


Um beijo.

Paula Teles disse...

Nossa ameei você escreve muito bem parece que estou lendo um livro. Estou te seguindo e volto sempre viu. Beeijos

Inês disse...

Nossa.